08/02/2010 - Saúde animal impulsiona economia

 

Região de Campinas se destaca como polo produtor de medicamentos e aditivos veterinários.

 

 

 

A estimativa da indústria veterinária brasileira é ter fechado o ano passado com um faturamento acima de R$ 2,8 bilhões. O acréscimo em relação a 2008 foi de 5%. A região de Campinas é hoje um forte polo de produção de medicamentos e aditivos para nutrição de animais de corte e de estimação. Em cidades da região estão instaladas grandes nomes do mercado, como Fort Dodge (incorporada ao grupo Pfizer no ano passado), Merial, Vetbrands e Sanphar.

Inovação tecnológica, lançamento anual de novos produtos, foco na resolução dos principais problemas que atingem o rebanho nacional e os animais domésticos são segredos que sustentam a competitividade da indústria nacional. As fabricantes instaladas na região atendem ao mercado local e exportam parte da sua produção, principalmente para a América Latina. O Brasil é um dos líderes mundiais em exportação de carnes, e a ampliação do domínio do País em outros mercados eleva as atividades das produtoras de medicamentos e suplementos.

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Emílio Salani, atesta a potencialidade da indústria brasileira com números. “O mercado cresce, em média, 8% ao ano. Mesmo em 2009, quando a crise econômica afetou diversos setores produtivos, inclusive o agronegócio, o setor manteve a expansão e aumentou o faturamento em cerca de 5%. Nossas projeções mostram que, entre dezembro de 2008 e novembro de 2009, as vendas reais ultrapassaram R$ 2,8 bilhões”, contabiliza.

Ele destaca que a indústria brasileira atua em diferentes nichos e desenvolve novidades na área biológica (vacinas) e remédios avançados. Salani ressalta que a região de Campinas concentra, hoje, um polo relevante no País e abriga grandes fabricantes, empresas de médio porte e pequenos empreendedores. “A região tem vantagens competitivas em relação a outros locais, como a logística e a oferta da mão de obra. O maior operador logístico que atende o setor está instalado aqui”, diz.

Polo

O fato de estar próximo de grandes mercados consumidores, possuir infraestrutura logística e profissionais qualificados fizeram da região um espaço de atração para as empresas do setor veterinário. As indústrias investem em ampliação de suas áreas e novos produtos. Nem mesmo a crise freou os negócios do setor. A Merial cresceu no ano passado 12,7%, com um faturamento de R$ 300 milhões. “O resultado do ano passado foi uma surpresa. O começo de 2009 foi muito difícil. Mas, no final, os números foram bem melhores do que se esperava”, pondera o presidente da empresa, Alfredo Ihde.

O executivo afirma que é fundamental para essa indústria o trabalho de diferenciação dos produtos. “Inovar, ter preços competitivos e prestar serviços aos produtores são fatores primordiais para o crescimento da indústria de saúde animal”, pontua. Ihde aponta que, até o ano passado, um dos segmentos que mais se expandia dentro da empresa era o de reprodução bovina. “O segmento perde um pouco de espaço. O mercado de vacinas ganha força, em especial o produto voltado para suínos”, comenta. A área de produtos para pets também apresenta incremento nos números. Em 2010, a expectativa é de ampliar entre 6% e 7% os negócios. “As exportações aumentaram 40% no ano passado”, acrescenta.

Soluções

Outro termo que se transformou em palavra de ordem no setor é solução. Desenvolver produtos que supram as necessidades dos produtores rurais e também dos animais domésticos é um diferencial competitivo relevante no mercado. “A indústria veterinária se modernizou e tem desenvolvido soluções para diferentes nichos”, salienta o diretor financeiro da Fort Dodge, Hector Sandoval. A empresa, que foi adquirida em outubro do ano passado pelo grupo Pfizer, tem unidade fabril em Campinas com capacidade de produção de 17 milhões de frascos. A planta exporta US$ 20 milhões por ano para países da América Latina, Ásia e África.

A empresa atua na fabricação de produtos veterinários para bovinos, suínos, equinos, aves e animais de companhia. “Todos os segmentos estão em crescimento. No ano passado, a Pfizer cresceu 12%”, diz o executivo, frisando que a indústria veterinária tem regras rigorosas de fabricação e de padrão de qualidade dos produtos. “Nós realizamos investimentos contínuos na planta de Campinas”, acentua. Nos últimos três anos, a unidade recebeu R$ 9 milhões de recursos para projetos e manutenção do local.


O NÚMERO

2,665 BILHÕES DE REAIS

Foram as receitas do setor de indústria da saúde animal entre dezembro de 2007 e novembro de 2008


Empresa se tornou uma referência

A Sanphar é um exemplo de indústria local que se expandiu e, hoje, é uma referência no setor de saúde animal. Especializada em medicamentos e aditivos nutricionais para a agroindústria, a empresa receberá, nos próximos cinco anos, R$ 20 milhões em investimentos. “Nosso grande mercado está situado nas cadeias produtivas de suínos e aves”, diz o presidente da empresa, José Nunes Filho. A fabricante, com planta em Campinas, foi comprada por uma multinacional.

Nunes Filho ressalta que a qualidade do produto que sai do campo é uma das maiores preocupações de governos e serviços de vigilância sanitária em todo o mundo. Manter a competitividade nacional é uma missão que tem a indústria veterinária como um dos principais pilares de sustentação. “As regras para a exportação estão cada dia mais rigorosas e todos os agentes da cadeia têm que se adaptar às exigências”, esclarece o empresário.

Há muito tempo atuando no mercado, Nunes Filho afirma que a região concentra grandes empresas do setor e ganha relevância como polo. “A região abriga empresas de diferentes portes e focos de atuação. Nós estamos próximos a grandes mercados consumidores, como municípios paulistas líderes do agronegócio e a região Centro-Oeste, e temos uma excelente logística de distribuição de produtos e recepção de insumos”, detalha. A Sanphar fatura R$ 65 milhões e deve atingir R$ 130 milhões em 2015. “Os investimentos nos próximos cinco anos devem chegar a R$ 20 milhões”, diz. (AL/AAN).

Fonte: PorkWorld

 

 

 
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